Estilo Hipster – Da história às roupas

0
736
Estilo hipster

Já faz um tempo que a cultura e a moda hipster estão em alta. Não só estão em alta, como passaram de uma subcultura para influenciar diversos veículos midiáticos e também, ironicamente, a cultura mainstream.

Vamos ver aqui tudo sobre hipsters: como se vestem eles, de onde surgiu o termo e a cultura, e ainda dicas para saber como se vestir de acordo.

O que é “Hipster”?

Quando se fala em hipster, muitas imagens surgem na cabeça. Algumas mais borradas, outras mais definidas. Mas pode parecer difícil definir de forma clara. E não é à toa: há diversos estudos e críticas a respeito do fenômeno hipster do século XXI, e mesmo esses estudos concordam que o termo é abrangente e turvo.

Como a palavra “hipster” pode querer dizer tanto um grupo cultural quanto uma tendência de moda, abordaremos um pouco de tudo.

Vamos por partes para entender.

O significado de Hipster

Hipster é um neologismo da língua inglesa, importada e emprestada por muitas línguas, inclusive o português. Portanto, não há tradução.

Ela origina de hip com o sufixo ster, que denomina pertencimento (por exemplo, gangster: gang + ster – membro ou pertencente a uma gangue).

Hip tem uma origem controversa, com divergências sobre a verdadeira nacionalidade e palavra de onde derivou. O que importa é que, na década de 40 e num pedaço da anterior, o termo era usado como código para dizer que alguém era “por dentro”, “consciente de seu ambiente”. Algo similar com o atual in, ou mesmo cool.

Um hipster, então, seria naquela época uma pessoa consciente do que está acontecendo, por dentro. Mas falaremos mais sobre isso.

A cultura hipster

Definir essa cultura pode ser difícil, mas explicá-la não é. Há certas características que unem todos os seus adeptos.

Fimdotexto

Os hipsters têm como base de sua cultura e atitude, a não-conformidade. Eles preferem tudo o que não é da cultura mainstream, podendo (comumente) chegar ao extremo de rejeitá-la por completo.

E isso se aplica a tudo: hábitos alimentares (predileção por orgânicos, veganismo e permacultura), jeito de se vestir, estilo de vida, opções de trabalho e estudo, preferências por artes, e um mergulho na cultura indie.

 

Eles constantemente buscam novidades em coisas obscuras, com especial predileção por tudo o que é retrô e vintage, rejeitando novidades reais. Prezam muito as artes, como música e cinema.

Coisas de hipsters

Também pode haver uma rejeição ao uso extremado da tecnologia. Hipsters adoram a cultura DIY e foram grandes responsáveis pela volta de aparatos como máquinas de escrever, câmeras analógicas, cadernos feitos à mão e produtos como cervejas artesanais.

Como ser hipster?

Isso vai depender! Você quer se vestir como um ou realmente entrar na cultura? Ou ambos? Para se vestir, basta ver nosso guia abaixo.

Para realmente ser um hipster (caso você ainda não o seja), você tem de, para começar, ser crítico à normalidade. O hipster tem um uma não-aceitação da cultura em voga, então ele busca culturas marginalizadas, esquecidas e diferentes para se identificar.

É inclusive daí que vem o estereótipo do hipster que faz questão de anunciar sua banda predileta, uma antiga que ninguém nunca ouviu falar, que só existe em vinil.

Estudiosos do movimento também notaram uma tendência forte desse grupo a ter visões mais progressistas, pendendo para a esquerda, além de uma forte conexão com o design.

Então, de forma mais generalizada e abrangente, eles tendem a preferir coisas do universo indie. Repare nos filmes independentes – eles têm uma forte cultura hipster embutida, seja em roteiro ou personagens.

A história do estilo hipster

O estilo hipster começa bem antes do começo do século XXI. O termo foi resgatado e retomado hoje em dia. Vamos ver como tudo começou.

O começo: o século XX

O termo hipster, como já dito, surgiu entre o fim da década de 30 e o começo da década de 40, em Nova Iorque. Neste contexto, bem na febre do bebop, brancos de classe média (ou até média-alta) que eram fãs de jazz passaram a seguir de perto os clubes negros onde a música era tocada. Encantados com toda a cultura negra, rapidamente passaram a tentar viver da mesma forma.

Hipsters originais dos anos 40
Hipsters, em 1948, pedindo autógrafos a Louis Armstrong

Os hipsters originais eram, então, brancos se voltando contra a cultura branca que imperava. É importante lembrar que o racismo e a segregação nos EUA nessas épocas eram imensos; um branco preferir a cultura dos negros era uma grande forma de se rebelar – sem ainda perder seus privilégios.

Durante a década de 40, após a Segunda Guerra Mundial, a cultura se alastrou com rapidez e em grande tamanho. Afinal, desiludidos no pós-guerra e com sentimento de sufocação pela conformidade que tomava conta dos Estados Unidos, os jovens passaram a se rebelar ainda mais.

O estudioso Norman Mailer chegou a dizer que os “negros brancos”, como os chamava, queriam se divorciar da sociedade. Para tal, passaram a fazer tudo o que era forma do esperado e normal. A cultura hipster se confunde, nessa época, com os Beats. Na realidade, todo Beat era um hipster.

Então hipsters eram quaisquer jovens, acabando por gerar artistas e toda uma geração com estilo próprio.

Williamsburg, Brooklyn
Williamsburg, Brooklyn, em Nova Iorque

Os dias atuais

Os novos hipsters surgiram no finzinho dos anos 90 e se firmaram nos anos 2000, no Brooklyn em Nova Iorque.

Tratava-se de jovens millennials, no geral brancos e de classe média, que começavam lentamente a negar os movimentos principais do mainstream.

Características

Uma característica muito marcante dos hipsters era a vontade de viver de forma mais sustentável: preferindo a bicicleta aos carros, comendo orgânicos e preferindo opções como o vegetarianismo, o veganismo e a comida saudável e integral.
Em vez de roupas novas da moda, preferiam o vintage e brechós. Quanto mais antiga e retrô fosse a roupa, melhor.

Os hipsters também foram os responsáveis por girar a roda: o que era totalmente uncool, como a cultura nerd e geek, virou o novo cool. Ser nerd era legal; roupas e músicas antigas eram mais legais que novidades.

Uma grande característica deste grupo era a busca por sociedades e culturas minoritárias, de certa forma intocadas pela cultura ocidental e caucasiana. A identidade hipster era uma colagem de referências, caindo muitas vezes no pastiche.

Outra forma de negar a conformidade social era deixar a barba crescer. Assim, com preferências artísticas, muitos estudantes liberais de artes e um visual começando a se definir, o hipster foi se caracterizando como um grupo expressivo de jovens.

A explosão hipster

Foi dado a esse grupo o nome dos antigos hipsters pela característica de não se conformar com a sociedade. Porém, rapidamente isso ganhou um termo pejorativo na mídia, e a definição de “hipster” começou a ficar mais turva.

Ao mesmo tempo, de forma contraditória, muitos aspectos da cultura hipster foram incorporados por vários grupos, chegando fortemente ao mainstream. Isso inclui moda, estética independente de filmes e música hipster, e a incorporação (e apropriação) de culturas minoritárias.

Hoje em dia, com até o hip hop pegando elementos hipster, é um grande marco da geração Y, que busca individualidade, unicidade e nega a imposição do mainstream. É muito comum, hoje, encontrar artistas hipsters, bandas, bares, lojas e marcas voltadas para esse universo.

O hipster, que inicialmente refutava a moda, passou a virar grande parte dela – e abraçá-la com grande interesse. Convenhamos, muitos hipsters são verdadeiros fashionistas.

O estilo hipsterEstilo de vida hipster

O estilo hipster pode ser relativamente fácil de descrever em termos de roupas. Porém, ele mesmo acabou se ramificando em outros subgêneros, alguns mais fiéis aos hipsters outros menos.

Estilo hipster masculino

O estilo hipster tem uma força maior no universo masculino do que no feminino, sendo mais delimitado e fechado em termos de vestuário. Isso provavelmente se deu pelo seu início ter sido, principalmente, masculino.

O estilo masculino desse grupo é tão forte que gerou várias subvertentes, das quais duas superimportantes são exclusivamente masculinas: os metrossexuais e os lumbersexuais. Os metrossexuais, como dizem estudiosos, são resultado da apropriação hipster (e heterossexual) da cultura gay (que desde os anos 80 inclui a preocupação estética).

Os lumbersexuais, por sua vez, são a resposta hipster aos metrossexuais – o homem mais simples e básico, o lenhador sexy urbano.

Trazer coisas não mainstream, desconhecidas e marginalizadas como algo cool é o que faz o estilo hipster. Quanto mais desses elementos você trouxer, mais próximo do estilo estará.
Afinal, homens que se cuidavam demais eram malvistos; homens com barba muito grande, também. Agora, são uma parcela bem grande de consumidores e de trabalhadores, com status.

O Hipster da Federal

hipster da federal
Hipster da Federal: o hipster que ficou famoso

Lucas Valença, o famigerado Hipster da Federal, serve como grande exemplo do alcance da cultura hipster. Adepto mais especificamente do estilo lumbersexual, de barba grande, coque masculino e roupas confortáveis, ele surpreendeu ao mostrar que o estilo é aceito e utilizado até por trabalhos de prestígio e mais conservadores – como a Polícia Federal.

A outra prova de que o estilo é aceito e popular, é o reboliço que sua mera foto causou na internet. Milhares de pessoas passaram a seguir seu Instagram. O policial federal virou galã. Não tem jeito: hipster e lumbersexual agora são mainstream – e cool.

Estilo hipster feminino

O estilo hipster, apesar de um início mais masculino, não se resume aos homens. Em termos de atitude e estilo de vida, para as mulheres não há nenhuma diferença. Há, principalmente, nas roupas.

estilo feminino

A mulher hipster é feminista – ou grande simpatizante do movimento. Então a liberdade sexual aparece nas vestimentas. Não há vergonha em mostrar o corpo, mas sem vulgaridades ou exageros.

Os cabelos também tendem a ser diferentes – cortes modernos, considerados esquisitos, caem bem. Cortar seu próprio cabelo é o ideal! Não tenha medo de pintá-lo com tinta fantasia, especialmente tons pastéis. Sobre as roupas, veremos a seguir.

A moda hipster

A moda hipster é o que mais prevalece atualmente. Você pode ver pessoas nem um pouco interessadas por arte, sem a menor preocupação ambiental, que gostam de pop e tudo o que é mainstream. Não se interessam em nada pelo que não esteja na televisão.

Mas se vestem como hipsters.

Hipster agora é um estilo de moda. Se você não se identifica como um hipster, após ler esse artigo até aqui, tudo bem – hoje essas características externas foram incorporadas pelo mundo fashion, especialmente no street style. Veja os itens mais icônicos do estilo.

A moda hipster masculina

camisa estampada hipster
Estampas exóticas e diferentes são ótimas

Camisas e camisetas hipster

Você já deve saber, né? Xadrez é a palavra-chave. Qualquer camisa xadrez faz parte do vestuário hipster. Camisas de flanela também, seja você um lumbersexual ou não.

Camisetas também são interessantes, especialmente se tiverem estampas exóticas ou bem diferentes. Podem ter humor também – hipsters não são pessoas sérias.
As camisetas também podem ter frases – é o ideal. Mande fazer uma camiseta com suas frases originais: é ainda mais hipster, e é a tendência de 2017.

Calças

Calças apertadas, do tipo skinny são marca registrada. Jeans velhos, rasgados e surrados também caem super bem.

Casacos

O hipster adora um moletom, especialmente com gorro – os hoodies. Jaquetas de couro têm também muito a ver. Cardigãs, casacos e jaquetas vintage são o melhor. Compre-os num brechó.

Sapatos

Use um par de Converse (All-Star), de preferência bastante usados, para não ter erro. Mas não fique por aí: Adidas, mocassins e mais. Tanto retrô, como oxfords, como modernos podem ir bem.

sapatos oxford masculinos
Sapatos oxford são muito característicos do estilo

Acessórios

Gorros, de preferência bem coloridos. Chapéus são muito amados pelos hipsters. Se você encontrar um chapéu panamá, ou especialmente um chapéu fedora, compre-os. É bem por aí! Por fim, óculos – de grau ou de sol – que sejam muito grandes. Os Wayfarer são os preferidos.
Suspensórios também são excelentes.

moda hipster feminina
Vestidinhos, listras, chapéus e suspensórios: todos dentro do estilo

Moda hipster feminina

A moda feminina tem algumas diferenças. A calça skinny, suspensórios, os chapéus retrô e vintage, sapatos, óculos – tudo isso fica semelhante ao estilo masculino.
Algumas coisas a mais são:

  • Vestidos de estilos antigos e clássicos. Quanto mais anacrônicos forem, melhor.
  • Estampa poá – as bolinhas. Uma roupa de bolinhas é algo que as hipsters amam, e dá um toque de fofura retrô.

    normcore básico feminina
    Uma pegada super básica também é hipster – se chama normcore
  • Cabelos coloridos e diferentes. Não tenha medo de ousar. Saia da conformidade usando um corte de cabelo. DIY – corte você mesma.
  • Faça você mesma também seu shortinho. Pegue uma calça jeans, ou shorts velhos e corte. Mas deixe-o bem curtinho.
  • Macacões e jardineiras, de preferência de brechó, antigas.
  • Você pode optar por creepers.
  • Suéteres, blusas, roupas de lã – tudo que foi feito à mão. Comprar direto de alguém que fez, sem marca, é o melhor.

Concluindo

O estilo hipster é cheio de contradições, mas cheio de atrativos. Apesar de ser tratado com desprezo e de forma pejorativa, foi incorporado pela massa e pela mídia.

Você pode usar essas dicas de roupas hipster para se guiar e inspirar. Mas você pode ir além. Vá direito no cerne da coisa. Busque coisas novas, coisas que tenham a ver com você. Use elementos hipster com os seus próprios.
Afinal, para sair da nova moda em que ser hipster é normal, nada melhor do que compor um look autêntico, diferenciado.

GIF BAG

Deixe uma resposta